São muitos os nós a nos prender. E de tantos nós entre nós, entre tantas amarras, amar pode ser proveitoso. Aproveito isto em nosso leito, outro de nossos nós que fazem de nós um só nó, onde não amo, mas faço amor. Amar, amarrar, desamar e desamarrar. Uma história comprida, como um barbante quase que sem fim. Um barbante de nós. Um barbante nosso. Que nos une. Que nos enrola. Que nos amarra. Que nos prende.
8 de maio de 2013
24 de abril de 2013
Maçãs
17 de abril de 2013
Não ligue
Eu te suplico; por favor não ligue se eu esquecer a data de aniversário de nosso namoro; Garanto que não vou esquecer seu sorriso lento quando eu te pedi para ser meu. Não ligue se eu não guardo as passagens que me levam até você; Garanto que eu guardo todos os momentos que passamos juntos. Não ligue se eu não demonstro ciúmes; garanto que é apenas por confiar demais. Não ligue se eu não escrevo textos todo instante para você; garanto que esses textos ficam rondando minha cabeça, procurando uma harmonia para que possam, finalmente, ilustrar meu espaço e mostrar para todo mundo, da forma que você merece, que eu gosto de você.
6 de novembro de 2012
Vontade que não falta
Vontade de tirar o pó, escrever e desabafar não falta. O que falta é sentimento, é cor e sentimento, motivos para desabafar. Estou seco, frio e só.
14 de setembro de 2012
Carta aos Senhores Candidatos
Senhores Candidatos à Prefeitura da minha cidade. Mesmo eu escrevendo isso apenas hoje, não me refiro somente a vocês vermelhos, mas com também falo com todos os amarelos, azuis, verdes, brancos e demais cores.
Vocês têm por hábito promoverem caminhadas, passeatas, carreatas e o que mais quer que seja. Algumas destas foram proibidas e, com certeza, tem um motivo muito justo para isso. O que vocês
veem como propaganda e imagem para horários eleitorais, eu vejo como um evento desnecessário que não amplia seus votos ou mostra a real quantidade de votos já conquistados. O que vocês veem como status de popularidade na minha cidade, para a qual meus impostos são recolhidos, eu vejo como um desperdício de dinheiro. Eu vejo apenas um comércio parado com funcionários nas portas das lojas, temendo invasões. Eu vejo o trânsito, que já é bem precário, se tornar um caos. Eu vejo filas de ônibus se formando. Eu vejo trabalhadores cansados tendo sua volta para casa e seu tão merecido descanso atrasados. O que você vê como "onda da minha cor", eu vejo como lixo da cor que passou. Sim, pois seja Vermelho, Amarelo, Verde, Azul, Branco ou qualquer cor que seja, o que sua multidão deixa ao passar são inúmeros "santinhos" de candidatos a vereador, uma imensidão de papel picado, bandeiras de plástico, faixas, fitas e tudo o mais vem a entupir as valas, sujar as ruas, enfeiar a cidade e tudo o que de pior você possa imaginar.
Senhores Candidatos. Nosso direito de escolher um de vocês para fazer o melhor por nós não é nenhum carnaval. Não zombe da nossa cara dessa forma. Não se deem ao trabalho de tirarem pessoas que não trabalham e/ou não estudam nesse horário, ou por falta de escola, ou por falta de emprego, de suas casas somente para atrapalhar quem trabalha e estuda ou simplesmente passeia pelo centro da cidade buscando um pouco de paz. Pelo contrário, se deem ao trabalho de colocá-los em trabalhos e em escolas de dignidade, onde eles aprendam que não é preciso nada disso para eleger um bom governante.
4 de setembro de 2012
Te admiro
Admiro seus pés quando você se senta com eles descalços na minha frente. São carnudos, bonitos. Admiro seu olhar infantil e inocente numa cara safada. É um contraste lindo!
Admiro seu sorriso e suas lágrimas. Admiro sua voz e seu jeito engraçado de falar.
Não me apaixono só pelo simples motivo de estar seco e não me apaixonar assim tão facilmente. É que em outras aulas a vida me ensinou que essa de se apaixonar não é legal. Por isso fico aqui, te admirando. Sem amor, sem desejos intensos. Só admiração. Meio que eu me vejo em você. Em seus casos . Em sua história. Igualzinho. As vezes me pego rindo quando formo seu rosto na minha frente. Feito um babaca qualquer, do nada começo a rir sozinho no ônibus. Sou apenas eu te admirando quando você está longe.
28 de agosto de 2012
Esse que eu amei
Esse que eu amei, foi meu primeiro namorado. Namoramos por um ano e meio, ficamos de moído por mais um ano. Entre brigas e voltas, deixamos de nos falar. Seria melhor. Até que o destino me deu notícias dele, de que ele se mudaria de Campina para sempre. Então nos falamos. E tivemos o melhor sexo de nossas vidas, ao ar livre, com as estrelas como testemunha. Dois dias depois fui a seu apartamento, ajudei-o a arrumar suas malas, e nunca mais nos vimos pessoalmente.
17 de agosto de 2012
Caixas de Sapato
Desde pequeno nunca entendi muito essa mania que minha mãe tem de colecionar caixas de sapato, mesmo deixando os próprios sapatos jogados por ai. Caixas de sapato, ao meu ver, serviam apenas para juntar poeira no verão e mofo no inverno.
Serviam...
É que hoje acordei inspirado a fazer uma faxina no meu quarto, e só então tive a necessidade/curiosidade de abrir cada caixa dessa coleção. Mais do que sapatos velhos e papelão, cada caixa destas, guarda memória, guarda uma vida.
Dentre fotos e livros velhos, pude ver parte da minha vida encaixotada como mercadoria.
16 de agosto de 2012
Carta de um suicida
Tem sido difícil. Meu relógio marca horas erradas, minha pressão está no alto de uma torre e os manuais me ensinam lições e maneiras que não me levam a lugar nenhum. As dores? Estas já tem sido incuráveis; não há analgésicos, álcool ou saídas com amigos que me aliviem. A vida, a respiração e cada batida no peito dói. Uma dor que queima, rasga, dilacera e maltrata. Aos poucos. O que é bem pior. O nascer do sol não me anima, o seu se pôr não me surpreende. A morte em vida é a pior de todas.
Cansado disso, darei a mim mesmo um presente: Um golpe de misericórdia. "A vida é bela e o paraíso é um comprimido" diz a canção. E é este paraíso que vou conhecer a medida que este comprimido se desfaz lentamente sob minha língua. Tão lento quanto minha dor. Meu medo. Minha visão tão escura quanto meu eu.
Despeço-me de vocês. Poupem-me suas lágrimas, pois estou apenas poupando a minha.
10 de agosto de 2012
O copo do liquidificador
Eu adorava quando ele acordava mais cedo, com cuidado ao sair da cama para não me despertar se um sono leve. Adorava fingir continuar dormindo só pra ver seus braços fortes e suas pernas grossas desfilando até o balcão da cozinha. Adorava sua cara meio susto, meio raiva com o barulho que o liquidificador fazia. Ele sempre zelava por meu sono. Sabe que fico de mau-humor quando sou acordado. Mas não era mau-humor. Era teatro. Eu só queria deixá-lo a vontade em sua regata branca e sua cueca estilo samba-canção para que pudesse tomar suas vitaminas direto no copo do liquidificador sem medo que eu pudesse achar aquilo grotesco e mal educado. Mas é que era grotesco e mal educado mesmo! Mas era lindo... O sol que entrava pela janela do apartamento, quando refletia nos seus pelos meio aloirados que insistiam em aparecer por fora da regata, formavam a mais bela silhueta masculina que jamais havia visto. Dentre tantos homens que passaram pelo meu apartamento, pela minha vida, era dele o peito mais bonito! Peito de homem, sabe? Malhado, peludo... Ficava lindo em conjunto com aquelas mãos grossas que seguravam o copo do liquidificador.
Mas já passaram por minha cama, meu apartamento e minha vida, outros corpos sarados, outros peitos peludos. Mas nenhum destes muitos corpos sarados e muitos peitos peludos se rendiam a delicadeza de me acordar de um sono fingido com um sussurrar de Bom Dia no ouvido, seguido de um leve beijo nos lábios. Nenhuma outra regata branca ou cueca estilo samba-canção me pegava pela mão a me levar até torradas quentes e ovos fritos. Ah, aquela boca carnuda que encostava no copo do liquidificador... Nenhuma outra me beijou de forma tão grotesca e mal educadamente linda.
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