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20 de junho de 2013
8 de maio de 2013
Nós
São muitos os nós a nos prender. E de tantos nós entre nós, entre tantas amarras, amar pode ser proveitoso. Aproveito isto em nosso leito, outro de nossos nós que fazem de nós um só nó, onde não amo, mas faço amor. Amar, amarrar, desamar e desamarrar. Uma história comprida, como um barbante quase que sem fim. Um barbante de nós. Um barbante nosso. Que nos une. Que nos enrola. Que nos amarra. Que nos prende.
24 de abril de 2013
Maçãs
17 de abril de 2013
Não ligue
Eu te suplico; por favor não ligue se eu esquecer a data de aniversário de nosso namoro; Garanto que não vou esquecer seu sorriso lento quando eu te pedi para ser meu. Não ligue se eu não guardo as passagens que me levam até você; Garanto que eu guardo todos os momentos que passamos juntos. Não ligue se eu não demonstro ciúmes; garanto que é apenas por confiar demais. Não ligue se eu não escrevo textos todo instante para você; garanto que esses textos ficam rondando minha cabeça, procurando uma harmonia para que possam, finalmente, ilustrar meu espaço e mostrar para todo mundo, da forma que você merece, que eu gosto de você.
6 de novembro de 2012
Vontade que não falta
Vontade de tirar o pó, escrever e desabafar não falta. O que falta é sentimento, é cor e sentimento, motivos para desabafar. Estou seco, frio e só.
28 de agosto de 2012
Esse que eu amei
Esse que eu amei, foi meu primeiro namorado. Namoramos por um ano e meio, ficamos de moído por mais um ano. Entre brigas e voltas, deixamos de nos falar. Seria melhor. Até que o destino me deu notícias dele, de que ele se mudaria de Campina para sempre. Então nos falamos. E tivemos o melhor sexo de nossas vidas, ao ar livre, com as estrelas como testemunha. Dois dias depois fui a seu apartamento, ajudei-o a arrumar suas malas, e nunca mais nos vimos pessoalmente.
17 de agosto de 2012
Caixas de Sapato
Desde pequeno nunca entendi muito essa mania que minha mãe tem de colecionar caixas de sapato, mesmo deixando os próprios sapatos jogados por ai. Caixas de sapato, ao meu ver, serviam apenas para juntar poeira no verão e mofo no inverno.
Serviam...
É que hoje acordei inspirado a fazer uma faxina no meu quarto, e só então tive a necessidade/curiosidade de abrir cada caixa dessa coleção. Mais do que sapatos velhos e papelão, cada caixa destas, guarda memória, guarda uma vida.
Dentre fotos e livros velhos, pude ver parte da minha vida encaixotada como mercadoria.
10 de agosto de 2012
O copo do liquidificador
Eu adorava quando ele acordava mais cedo, com cuidado ao sair da cama para não me despertar se um sono leve. Adorava fingir continuar dormindo só pra ver seus braços fortes e suas pernas grossas desfilando até o balcão da cozinha. Adorava sua cara meio susto, meio raiva com o barulho que o liquidificador fazia. Ele sempre zelava por meu sono. Sabe que fico de mau-humor quando sou acordado. Mas não era mau-humor. Era teatro. Eu só queria deixá-lo a vontade em sua regata branca e sua cueca estilo samba-canção para que pudesse tomar suas vitaminas direto no copo do liquidificador sem medo que eu pudesse achar aquilo grotesco e mal educado. Mas é que era grotesco e mal educado mesmo! Mas era lindo... O sol que entrava pela janela do apartamento, quando refletia nos seus pelos meio aloirados que insistiam em aparecer por fora da regata, formavam a mais bela silhueta masculina que jamais havia visto. Dentre tantos homens que passaram pelo meu apartamento, pela minha vida, era dele o peito mais bonito! Peito de homem, sabe? Malhado, peludo... Ficava lindo em conjunto com aquelas mãos grossas que seguravam o copo do liquidificador.
Mas já passaram por minha cama, meu apartamento e minha vida, outros corpos sarados, outros peitos peludos. Mas nenhum destes muitos corpos sarados e muitos peitos peludos se rendiam a delicadeza de me acordar de um sono fingido com um sussurrar de Bom Dia no ouvido, seguido de um leve beijo nos lábios. Nenhuma outra regata branca ou cueca estilo samba-canção me pegava pela mão a me levar até torradas quentes e ovos fritos. Ah, aquela boca carnuda que encostava no copo do liquidificador... Nenhuma outra me beijou de forma tão grotesca e mal educadamente linda.
Porn
Me bate com força. Finca teus dentes em minhas costas e tuas garras em meu peito. Faça-me sentir homem. Deixe-me marcas por dentro e por fora da pele. Me amarre, me jogue em cima da cama e explore cada centímetro do meu corpo. Grita, geme, fica de quatro e implora por mim. Depois de pisar no meu peito nu, sou eu quem mando agora, sua vadia. Abre a boca. Engole!
2 de agosto de 2012
Manhã vermelha
Ela acordou cedo. Tomou um banho demorado, escolheu sua melhor lingerie, seu melhor vestido e borrifou sobre sua pele, o mais caro de seus perfumes. A casa estava arrumada e um delicioso almoço estava para ser servido. Só faltava a sua chegada. Ele. Aquele que ela por tanto tempo esperou.
Ele foi chegando, jogando os sapatos pela sala, arrancando os botões da própria camisa e pegando sua amada pela cintura. Arrancou-lhe um beijo. Dois. Três e uma manhã de amor.
-O almoço está pronto, querido! - gritou da cozinha a mulher que foi, de longe, a mulher mais mulher na cama. Sentado na mesa, ele, aquele que ela por tanto tempo esperou, viu uma arma apontada na direção de seus olhos.
E foi a última coisa que ele viu. Ela, finalmente, o matou.
24 de julho de 2012
Meu blog é neutro em CO2
O Monotonia Diária, além de preocupado com meus sentimentos, é preocupado com com os sentimentos desse imenso planeta azul em que vivemos. Somos bilhões de pessoas em espaços cada vez menores, e por isso decidi colocar este blog em ação. Agora ele faz parte de um projeto lindo e ganhamos uma árvore!
O projeto plantou uma árvore pra o Monotonia. É um pontinho de verde no planeta, melhorando o mundo que estamos!
14 de julho de 2012
Era uma casa muito engraçada
Minha casa tem arquitetura estranha e decoração simples. Quase sem decoração. Meu quarto vem depois de outro quarto, sem corredores no meio, como não vi em nenhum outro lugar. Em um minha gaveta, coleciono lâmpadas queimadas pelo péssimo trabalho de um eletricista fanfarrão. Minhas paredes são úmidas, meu telhado tem buracos e meu chão tem rachaduras.
Minha casa tem arquitetura estranha e centenas de lembranças boas. Meu quarto vem depois de outro quarto, mas sempre foi recheado de amigos, de amor e um pouco de sacanagem. Em minha gaveta, coleciono memórias de uma vida inteira e minhas paredes são proteção de uma família que sempre foi meu teto e meu chão.
5 de julho de 2012
A vida de Ana

Daquela casa simples, o café requentado e o colchão frio da cama eram as melhores lembranças de Ana. Não importasse o pouco conforto, mas essas lembranças vinham carregadas do cheiro de José. Ele, que acordava cedo todas as manhãs, fazia o seu café, deixando pouco mais de meia garrafa do líquido para sua amada requentar quando acordasse. O colchão frio, já pelo tempo que José deixara de aquecê-lo com seu corpo esbelto, era carregado do cheiro de sua pele queimada do sol.
A vida era simples, mas Ana amava tudo aquilo. Seu esposo e suas 3 filhas era tudo o que precisava para seguir adiante. Matar as galinhas, temperar suas carnes e bater o seu sangue. Tudo antes das meninas chegarem dos pés de algodão. O almoço tinha de estar pronto, afinal, "menina minha não estuda com fome".
Apesar de metade do mundo dizer que as 3 carregavam seus traços, Ana teimava em procurar nos olhos de cada uma, a imagem de vosso pai. A casa era simples e a sala chovia no inverno. Mas era cheia de amor.
1 de julho de 2012
Sinuca de bico
Em tudo o que fizeres, pensa como um jogo de sinuca. A tacada inicial vai dar os prumos da partida inteira. Mas isso não impede que você saiba lidar com as novas jogadas. É possível desfazer um erro, compensando-o com novos acertos.
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26 de fevereiro de 2012
Espera
Ela se arrumou toda para ele. Passou batom e colocou o seu mais bonito vestido. Costurou as meias para que pudesse usá-las e fez touca no cabelo o dia todo. Pediu o rouge emprestado na vizinha e passou as últimas gotas de seu perfume importado.
Ela o esperou. Sentada por um tempo, andando de um lado para outro, por dois. Pensou em mandar um bilhete, mas não chegaria a tempo, e já estava escuro, não havia nenhum moleque de recado na rua.
Então, cansada, depois que seu vestido amassou, seu perfume evaporou e a maquiagem precisava ser retocada pelo tempo, ela lavou o seu rosto para que a água da bacia disfarçasse suas lágrimas perante o espelho da cabeceira. Então ela deitou e dormiu.
20 de fevereiro de 2012
Soneto de 7 notas
Tenho do. De medo, pareço andar de re, mas é uma coisa que pulsa dentro de mi e de mais ninguém. Oro para fortalecer a minha fa. Aqui não tem sol, então fujo para la, onde eu posso voltar a si.
30 de outubro de 2011
28 de setembro de 2011
Salve Rainha
Salve, Rainha, Mãe misericordiosa, vida, doçura e esperança nossa, salve!
A vós brandamos os degregados filhos de Eva.
A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eias pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei,
e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre,
Oh clemente!
Oh piedosa!
Oh doce sempre Virgem Maria. Rogais por nós Santa Mãe de Deus.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
A vós brandamos os degregados filhos de Eva.
A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eias pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei,
e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre,
Oh clemente!
Oh piedosa!
Oh doce sempre Virgem Maria. Rogais por nós Santa Mãe de Deus.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Amém.
23 de agosto de 2011
A realidade é doentia
A realidade é doentia. Ninguém suporta a febre, os delírios de dores da vida real. Daí se busca algo que te traga de volta à loucura. Esta sim é perfeita. Cores vibrantes e corações pulsantes. Pupilas dilatadas e o sentimento real do sangue correndo nas veias como a água de um rio que lava a terra seca depois de meses de seca insana.
Ah, a realidade é doentia. Insanidade pretérita de raras exceções de sentido. Essa é a vida real. Ninguém gosta da vida real. Um mundo sem edições, sem cortes e sentimentos efêmeros. Tudo demora a acontecer e o coração bate devagar. Pulsa de leve, quase parando. Gostamos é da velocidade. Da adrenalina. Do sentimento real de vida. Das tonteiras, das dores de cabeça e o chão à 30metros de nossa cabeça.
Deitamos. Encontramos conforto no azulejo frio do banheiro, enquanto nosso reflexo não encontra o espelho da pia.
O mundo lá fora roda. Roda em seu ritmo normal e ninguém percebe. Aqui dentro o mundo gira. Pode sentir?
Eu posso.
22 de agosto de 2011
Visagens.
Algo não estava certo naquela noite. Os galos cantavam fora de hora e os cachorros uivavam desafinados para a lua cheia. "É mal presságio" murmurava dona Benta enrolada em sua colcha de retalhos. Ela tinha medo. Fora criada ouvindo histórias de Caipora e Maria Florzinha, por isso deixara sempre no terreiro uma carteira de cigarros que comprava na cidade.
Mas não era assombração alguma que passava por aquele lugar e chutava os baldes mais forte que o vento seria capaz. Era José. Ele corria. Tinha medo. Fugia. Não sabe-se se dele mesmo ou dos que lhe acercavam.
Ele apenas queria fugir, sair daquele lugar, fumar em paz os cigarros que encontrara ao relento.
Corre! Entra na mata escura. Pequenas frestas de luz de lua. Vultos.
Um grito.
Silêncio.
Dona Benta soubera. "Maria Florzinha tratou de dar destino a quem foge com medo do amor". José morreu. Corpo lapeado e coração na boca.
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