30 de dezembro de 2011

Algo sobre o ano que foi (e um pouco sobre o ano que vem)


Com o fim de ano passando a mão na fechadura da porta, é chegada a hora de pegar velhas caixas, passar a mão para tirar o pó e relembrar de momentos felizes... Felizes? Nem todos, nem tantos... mas felizes, sim.
2011 foi um ano de grandes mudanças pra mim. Aprendi a gostar um pouco na verdade, um monte mais de mim. Desapeguei de velhos hábitos, velhos amores. Me decepcionei, fui traído, vi o lado de quem não quer mais... Ganhei muita coisa. Fortaleci laços, percebi alguns laços elásticos que não arrebentam quando são esticados pela distância.
O fim do ano é que não tem sido muito legal comigo, sabe? Perdi quem mais amo. Mas tive toda a força que precisei para que ficasse de pé nessa tempestade. Hoje é que estou meio melancólico. Talvez as últimas notícias tenham me abalado um pouco e por isso estou assim. Mas isso passa. Em algum lugar estou feliz com isso.
Mas quem vem aqui não vem pra ouvir minhas lamentações. Bom, na verdade... vem sim. Foi pra isso que criei esse espaço. Mas com o ano que se aproxima, temos de ter força de vontade e atrair forças positivas. 
Que quem se afasta de mim, que seja por uma boa causa, que encontre um lugar melhor, pessoas melhores e faça o bem e leve o amor por onde for. Que quem eu conheça, seja para o meu bem e para o bem próprio. Que quem continua comigo, continue deveras comigo. Que quem eu odeie, eu passe a amar. O perdão é indispensável para uma vida feliz. E por falar em feliz... Eu vou conseguir. Por isso, um feliz 2012 para todos. Vivamos como se fosse o último. Segundo tradições vindas do solo do meu lindo México, esse pode, sim, ser o último. Nossa... nem nessa hora eu consigo ser animador. Desculpem.

8 de dezembro de 2011

Casa em Reforma



Minha casa, assim como minha vida, está um caos.
Minha casa, assim como minha vida, está em reforma.
Minha casa, assim como minha vida, vai ficar muito melhor do que era com o que eu estava acostumado.

29 de novembro de 2011

3 desejos


Sei que não tenho usado esse blog como demonstração de fé ou propagação de religião alguma. Nunca foi a minha intenção mesmo. Mas venho aqui, hoje , escrever uma oração. Deixo claro 3 pedidos que faço a Deus.
Em primeiro lugar eu peço Força. Força para conseguir enfrentar tudo o que estamos passando, todas as nossas perdas e assim continuarmos de pé.
Também quero pedir Sabedoria. Assim poderemos saber colocar um pé na frente do outro e conseguir seguir em frente, pois de nada adianta ficar de pé, se continuamos parados.
Por ultimo, te peço Luz. Luz para guiar a alma de quem parte e para guiar quem fica. A dor da partida é muito grande, nos deixa cego, e por isso todos precisamos de toda a luz possível.
Não peço mais para que alivie nossos sofrimentos, pois sei que não recebemos nada que não conseguimos suportar, e sei que para me ajudar neste, tenho amigos e pessoas queridas que estarão por perto para me dar toda a força, sabedoria e luz de que preciso.
Obrigado.

24 de novembro de 2011

Sobre Trabalhar com a Arte

Vendedora de Flores - Feira Central

Fotografia é arte. E Trabalhar com arte é uma coisa difícil. Não que seja difícil fazê-la, mas trabalhar com ela propriamente dito. Conhecidos e amigos, adoram ver sua arte pro diversão, e sempre que você os fotografa, todos pedem, imploram e exigem que você os entregue suas fotos. Mas quando fala-sem em profissionalismo, quando é preciso cobrar para fazer sua arte, todos buscam outros ares. Daí, você que está começando com sua arte, não tem praticamente nada profissional para mostrar e conseguir trabalhos concretos em outros horizontes, fica lá, parado, sem receber por seu trabalho.

5 de novembro de 2011

Ilude-te


Isso coração tolo! Te ilude com poucas palavras e sorrisos insinceros! Acredita em cada convite, que a cabeça, tua amiga, encosta no travesseiro e chora no teu lugar!

4 de novembro de 2011

Sonhei


Sonhei com você essa noite. Nos reencontrávamos e nos beijávamos a ponto de precisarmos ir para um lugar escondido. Eu passava a mão em seu corpo, que já disse ter sido um dos mais bonitos que peguei, enquanto te beijava com força e vontade. E você retribuía. Sorria para mim como há muito tempo eu não via.
Mas não se preocupe, eu também não me preocupei com isso. Sonhar que te beijo às escondidas, nos fundos de uma escola pública, não quer dizer nem de longe que ainda estou apaixonado por você. Quer dizer apenas o que eu nunca neguei: Eu ficaria com você mais uma vez, sim. Você aprendeu a beijar bem e tem um corpo lindo. Temos nossos desejos carnais e só.

1 de novembro de 2011

Sai!


Sai da minha cabeça ser que desperta meu desejo! Não! Fica! Mas corresponda-me. Faça-me feliz e sejamos felizes. Pelo menos uma noite. Depois eu te esqueço. Mas vem. Sou teu por quanto me quiser. Estou aqui.
Esqueça os convites para que se retires de mim. É que meus desejos solitários gritam por seu corpo. Meus dedos já não suportam mais substituir você. Volta. Faça-me teu.

30 de outubro de 2011

É o fim.


.
Era tudo o que tinha na mensagem que recebera em seu celular; um ponto.  "O que é isso?", respondeu, já com uma dor no peito, a mensagem do seu namorado. Chorou ao receber a resposta: "Ponto final"

E pra você? O que é o amor?



Dispensa mais palavras.

28 de setembro de 2011

Salve Rainha

 
Salve, Rainha, Mãe misericordiosa, vida, doçura e esperança nossa, salve! 
A vós brandamos os degregados filhos de Eva. 
A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. 
Eias pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, 
e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre, 
  Oh clemente!
  Oh piedosa!
  Oh doce sempre Virgem Maria. Rogais por nós Santa Mãe de Deus. 
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. 

Amém.

19 de setembro de 2011

A Flor e o Jardineiro 3


Achei você no meu jardim, entristecido, coração partido... Bichinho arredio. Peguei você pra mim como a um bandido cheio de vícios e fiz assim...
Reguei com tanta paciência. Podei as dores, as mágoas, doenças, que nem as folhas secas vão embora.Eu trabalhei. Fiz tudo, todo meu destino. Eu dividi, ensinei de pouquinho, gostar de si, ter esperança e persistência. Sempre.
A minha herança pra você é uma flor com um sino, uma canção. Um sonho, nem uma arma ou uma pedra eu deixarei. A minha herança pra você é o amor capaz de fazê-lo tranqüilo, pleno, reconhecendo o mundo, o que há em si.
E hoje nos lembramos sem nenhuma tristeza dos foras que a vida nos deu. Ela com certeza estava juntando você e eu.
Achei você no meu jardim...

Vanessa da Mata - Minha herança, uma flor.

13 de setembro de 2011

Sobre as coisas que lembrei


Hoje me fizeram lembrar das dores. Dores estas que foram revisitadas quando abri a caixa com suas lembranças. Pois é. Ainda guardo aquela caixa marrom cheia de pedras e ingressos que sempre foram só nossos.
Lembrei hoje do medo que eu tinha. Não sei ao certo se tive coragem de dizer, ou a vergonha me consumiu ao tentar assumir que tinha medo que você me deixasse para sempre. Chorava todas as vezes que você voltava para suas terras e não me dava notícias. Ia a força comprar o pão que só conseguiria comer quando terminasse o jornal sem notícias ruins. Sem ônibus virados nem acidentes na estrada.
Você não foi por morte. Ainda está bem vivo e mantemos contato. Eu que acreditei que jamais me acostumaria com sua partida, me acostumei aos poucos com sua presença de pedaços, com suas migalhas e esmolas que me davas quando queria. Hoje ainda nos vemos, nos beijamos quando temos vontade de ir muito além do beijo. Quebramos camas, deitamos no chão ou em qualquer colchão. De certa forma ainda estamos juntos. Porém inertes. Mornos. Mortos.
Não sei se guardamos amor. Não sei se guardamos rancor. Não sei se guardamos dor.
Não sinto mais a magia de te ver. Minhas mãos não suam mais e meu coração parece não mais disparar. Meus olhos não brilham, minha boca não treme e minha barriga não gela.
Queria isso de volta. Digo que não, mas tem alguém que insiste em dizer que eu quero você de volta.
Mas acho que me acostumei a te ter assim. Como um amigo com benefício. Meu desejo por você continua. E acho que vai continuar até alguém me arrebatar de vez e aceitar namorar comigo por mais de três meses.
Confesso que na ultima tentativa eu queria mesmo que desse certo, mas não deu. Dai como um io-iô, voltamos um para os braços do outro. Para as pernas, barrigas, pêlos, traços e laços.
E ficaremos assim eternamente. Chegou a hora de assumir isso.

6 de setembro de 2011

Eu fecho minha cara


Eu fecho minha cara a cada vez que você liga cheio de seus abusos.
Eu fecho minha cara para seu salto e suas drogas.
Eu fecho minha cara a cada vez que você ignora meus amigos.
Mas abro um sorriso a cada mensagem de carinho, a cada abraço e a cada beijo caloroso.
Abro um sorriso quando você faz aquela cara de quem quer demonstrar carinho e não pode no momento.
Abro um sorriso quando sei que sou seu baby; isso me faz sentir como se estivesse sob seus cuidados.
Abro um sorriso quando você me ouve e deixa de fazer algo pois entende que é para o seu bem.
Mas tenho medo. É, medo.
Dentre tantos abres e fechas, na verdade mais fechas do que abres, tenho medo de além da cara, fechar meu corpo, minha alma e meu peito. Coisa que não quero, e por isso crio força e paciência de onde não tenho mais. Tudo para manter o sorriso, a cabeça e o coração abertos.

27 de agosto de 2011

O Motivo pelo qual não creio em polegadas


Adorei a mulher que está trabalhando aqui em casa ajudando nos cuidados com vó! Ela é super simpática, moderna e ontem passamos um bom tempo conversando de madrugada. Mas hoje descobri que ela tem câncer de mama.
Por isso não considero nenhuma dessas postagens sobre câncer no facebook.
Ela estava aos prantos, pedindo que isso não fosse motivo pra sair daqui de casa. Ela já retirou um tumor de seu peito e agora tem outro, e polegada nenhuma que as meninas postaram no facebook podem mudar isso.
:~~



Por isso, se quiserem fazer alguma campanha, não façam mistério. Vidas estão se perdendo enquanto tentam descobrir o que diabos é 37 polegadas. 
Faça o auto-exame da mama regularmente. Procure um médico. Informe-se. Cuide-se. 
Não custa nada e vale muito.

23 de agosto de 2011

A realidade é doentia


A realidade é doentia. Ninguém suporta a febre, os delírios de dores da vida real. Daí se busca algo que te traga de volta à loucura. Esta sim é perfeita. Cores vibrantes e corações pulsantes. Pupilas dilatadas e o sentimento real do sangue correndo nas veias como a água de um rio que lava a terra seca depois de meses de seca insana.
Ah, a realidade é doentia. Insanidade pretérita de raras exceções de sentido. Essa é a vida real. Ninguém gosta da vida real. Um mundo sem edições, sem cortes e sentimentos efêmeros. Tudo demora a acontecer e o coração bate devagar. Pulsa de leve, quase parando. Gostamos é da velocidade. Da adrenalina. Do sentimento real de vida. Das tonteiras, das dores de cabeça e o chão à 30metros de nossa cabeça.
Deitamos. Encontramos conforto no azulejo frio do banheiro, enquanto nosso reflexo não encontra o espelho da pia. 
O mundo lá fora roda. Roda em seu ritmo normal e ninguém percebe. Aqui dentro o mundo gira. Pode sentir?
Eu posso.

22 de agosto de 2011

Visagens.

Algo não estava certo naquela noite. Os galos cantavam fora de hora e os cachorros uivavam desafinados para a lua cheia. "É mal presságio" murmurava dona Benta enrolada em sua colcha de retalhos. Ela tinha medo. Fora criada ouvindo histórias de Caipora e Maria Florzinha, por isso deixara sempre no terreiro uma carteira de cigarros que comprava na cidade.
Mas não era assombração alguma que passava por aquele lugar e chutava os baldes mais forte que o vento seria capaz. Era José. Ele corria. Tinha medo. Fugia. Não sabe-se se dele mesmo ou dos que lhe acercavam.
Ele apenas queria fugir, sair daquele lugar, fumar em paz os cigarros que encontrara ao relento. 
Corre! Entra na mata escura. Pequenas frestas de luz de lua. Vultos.
Um grito.
Silêncio.
Dona Benta soubera. "Maria Florzinha tratou de dar destino a quem foge com medo do amor". José morreu. Corpo lapeado e coração na boca.


6 de agosto de 2011

Uma árvore ruim


As vezes achamos demais, pensamos demais e, principalmente, falamos demais. Acreditamos que algo não vai bem das pernas e acabamos regando uma semente que estava lá, bem quetinha em seu lugar, escondida sob a terra seca. Mas dai, com nossa mania de saber de tudo, acabamos perguntando coisas que não existem e com isso acabamos molhando a terra seca que esconde a bendita sementinha. Então ela cresce e se torna uma árvore forte, frondosa e impossível controlar seu sentimento. Dai, quando ela tiver grande o bastante a ponto de suas raízes saltarem para fora do chão, tropeçamos nelas sem querer e percebemos o mal que criamos. 
A raiz que nos derrubou e nos fez voltar pra casa chorando como criança quando cai do balanço, serve apenas para nos mostrar que tudo começou com o nosso regador. Por isso ficarei calado, na minha. Não arriscarei molhar nenhuma terra seca. Mesmo que não tenham sementes, existem ervas daninhas que crescem no inverno.
Mas então você me lembra que se a semente está lá, a árvore pode nascer a qualquer momento, depois de uma chuva qualquer. É verdade. Mas não serei eu o regador, e até que esse dia chegue, eu já quero ter construído calçada nesse terreno. Castelo forte que impeça o crescimento que qualquer árvore ruim.

20 de julho de 2011

Quarentena


Decidi entrar em quarentena! Considere-me um arquivo que nunca foi deletado. Fico lá guardadinho naquela pasta esquecida no seu computador repleto de fotos e informações. Não peço pra ser excluído de sua vida, pois nunca devemos jogar fora uma oportunidade. E você ou qualquer um que sente na frente do computador pode ser um super usuário em potencial. Fico aqui nessa pasta do arquivo D:/ esperando você clicar em mim para que eu possa executar um programa de alta qualidade e definição de imagem e som capaz de paralisar seu coração.
Mas por favor não espere demais. Algum outro curioso pode mexer nisso tudo aqui e me descobrir. E nada me impedirá de funcionar para ele. Daí, pode ser que você tente me usar e receba a mensagem de erro "O arquivo D:/slim já está sendo usado por outro usuário. Verifique a disponibilidade do mesmo e tente novamente".
Não procurarei ninguém, estou de quarentena e não posso manifestar-me. Mas não posso ficar o resto da vida esperando você me abrir.


12 de julho de 2011

Quem tem sorte no jogo...





Esqueça as cartas, os dados e as pedras! O jogo que falamos é o jogo da vida. Sim. A vida é o grande jogo de que o ditado fala. As pessoas que estão ao nosso redor são nossas peças que movimentamos em um tabuleiro que criamos todos os dias.

O que acontece é que quando estamos amando, quando nos apaixonamos, perdemos a noção deste jogo, deixamos de manipular nossas peças e deixamos nos levar nas mãos do destino. Um jogo sem regras, sem estratégias. 
Não que uma pessoa tenha somente "Sorte no jogo, azar no amor" eternamente. Quem sabe jogar tem o direito de escolher onde lançar sua sorte. Preferir o jogo ao amor pode te render bons frutos, mas perder uma partida ou outra em nome de um grande ou nem tão grande assim amor pode ser uma jogada arriscada. E quem disse que isso é ruim? Qual a graça de jogar sem o risco de perder? Sem a tensão da espera da próxima carta, do resultado dos dados?
Tem dias que estou mais pra estratégia. Nestes dias sempre escolherei jogar. Mas as vezes estou entediado, e por que não me entregar a sorte do amor.  Já dizia Rita Lee; "Amor é sorte". Sempre discordei disso. Amor é um puta azar. Nossa sorte é quando ainda não é amor, pois aí podemos jogar e escolher nossas estratégias, mas sem deixar de viver as delícias de uma paixonite.
Mas nunca pense que sou daqueles que morrem de medo de fazer apostas, pois não tenho. Sou capaz de jogar todas as minhas fichas com um par de dois nas mãos, somente para sair da mesa e me entregar no primeiro amor que tiver o dom de me prender. Ou me libertar do vício. Nunca se sabe quanto podemos perder jogando. Nem quanto deixamos de ganhar ao sair da mesa. 

10 de julho de 2011

A flor e o jardineiro 2


Cansei de ser jardineiro. Também quero ser regado de vez em quando. Prometo ser uma flor duradoura e fiel. Não serei como as orquídias que murcham em menos de duas horas, nem como o girassol que passa o dia olhando para os lados.
Se você me regar direitinho, alimentar com os fertilizantes certos, prometo ser árvore frondosa. Te darei abrigo, te darei bons frutos e serei um apoio quando chegares cansado do teu dia de trabalho. Não posso prometer não ter espinhos, todos nós temos nossos defeitos, mas assim como os cactos cheios de espinhos, posso dar-te água para matar sua sede. 
Te guardo meu melhor aroma e minhas pétalas mais macias para te fazer carinho e retribuir cada vez que você me regue. 
Mas como serei tua flor, não posso fazer nada disso sem seus cuidados. Não sou eu o jardineiro. Quero que cuides de mim, me proteja e me zele. Só assim terás o melhor de mim.

9 de julho de 2011

Especial


Em alguns dias eu acordo especialmente feliz e aparentemente sem motivo algum. Aparentemente. Tenho meus motivoa mais que especiais. Motivos tão meus, que serei egoísta o suficiente para não dividí-los com vocês. Mas posso dividir mnha felicidade. como dizia alguém que não sei quem é, a alegria quando é dividida fia em dobro, diferente da tristeza, que quando é dividida, assim como na lógica matemática, fica pela metade.

14 de junho de 2011

Projeto sem título

(é difícil arrumar um título que descreva tudo o que estou sentindo. Estou aqui na frente do computador procurando alguma palavra, mas esta não vem. Desculpem)

De todas as minhas perdas essa é a que mais está me doendo. Eu não a perdi. Graças a Deus, ainda tenho o conforto de ligar para casa e saber que ela está lá. Imóvel, me esperando com seu sorriso sem dentes e sua pele cheirando a bebê. 
Mas as coisas não estão fáceis pro lado dela, sua idade avançada sua gripe que insiste em ficar e sua pressão que apresenta altos e baixos inconstantes a deixam fragilizada. Por isso eu tenho medo. Ainda a tenho do meu lado, mas não sei por quanto tempo. A pessoa a quem dedico amor incondicional está indo embora e eu não consigo fazer nada. 
Nas noites que ela não consegue mais dormir, eu também não tenho dos melhores sonos. É um sono alerta, como de um gato que acorda e sai correndo ao mais leve passar de mãos sobre seus pelos macios.
Isso me dói. Se chorei a partida de namorados que sempre voltam, nem que seja por uma noite, não imaginava que a dor dessa perda em especial me devoraria vorazmente como esta faz. 
Eu ainda a tenho do meu lado, e isso m deixa feliz. Agradeço a Deus todos os dias e todas as noites por isso. Mas sentimos sua partida e todos choram lá em casa.
Minha mãe já não consegue se controlar faz algum tempo. Ela não dorme, ela não come... Agarra-se aos cigarros como se estes fossem pilares de um grande templo grego, capaz de segurar até mesmo a ira dos deuses. Meu pai pelo menos largou o álcool em que se afogava todos os dias. Ele sabe. Sim, ele sabe que por mais forte que eu seja, não serei eu a conseguir segurar essa barra sozinho. Mas eu tento. 
Por mais que eu ainda não tenha chorado, minha vontade é de encontrar um lugar onde eu possa ficar realmente só e sangrar como um lago que transborda. 
Mas ao mesmo tempo que quero ficar sozinho pra enfim conseguir chorar o que preciso, eu preciso de gente perto de mim. Gente que me marcou de alguma forma, gente com quem eu tenha criado algum vínculo, por menor que seja. Sem mágoas, sem mais dores. Apenas um abraço apertado e sincero.
É só isso que eu quero.

2 de junho de 2011

No msn


A vontade que eu tenho é de dizer que seu colchão ainda está o esperando debaixo da minha cama e de chamá-lo pra sair comigo depois do meu trabalho pra pegar-mos um cinema e aproveitar-mos o escurinho. Mas mesmo com as palmas da minha mão suando e minha barriga gritando de dor como se levasse socos com força, eu não o direi diretamente.

31 de maio de 2011

Alguém ouvindo?

Eu preciso de amigos, sabe? Na verdade eu acho que todo mundo precisa. Amigos te animam, te abraçam, te visitam... Esqueça toda aquela utopia de que bons amigos em vez de enxugarem suas lágrimas, não as deixam cair. Isso é pura mentira. Os verdadeiros amigos eles enxugam suas lágrimas, respeitam o seu choro de solidão e aparecem na hora certa. 
Eu preciso de amigos, eu preciso de abraços, eu preciso de um ombro para chorar as minhas dores, de alguém que enxugue minhas lágrimas. Já faz uma semana que não vejo nenhum deles, que não desabafo, que não abraço ninguém. A vida me deu golpes muito fortes e sobrevivi uma semana sem o apoio físico de ninguém. Muitos me ajudaram, muitos conversaram comigo, mas nada pessoalmente, e isso tá fazendo falta, sabe?
Talvez hoje minhas palavras não estejam tão melódicas, tão carregadas de frases bonitas que se completam, mas hoje estou mais afim de desabafar assim, naturalmente mesmo. Não! Não pensem que eu forço algo em outros textos, mas hoje minhas emoções estão privadas demais para conseguir algo melhor que isso. 
Então se algum amigo meu estiver lendo isso, entenda que estou realmente precisando de ajuda. Sei que a ajuda nessas horas de amigos que ficam, e não de "amores" que vem e vão. E o ultimo, faz uma semana que se foi e ainda usa de deboche e de grosseria. Bem... Não vamos falar disso.

(...)

Acho que escrever isso me fez bem. Um pouco.

29 de maio de 2011

A flor e o jardineiro

Conta-se que toda relação é composta por uma flor e por um jardineiro. Mesmo que não seja todas, esse é o tipo mais comum das relações. O relacionamento que é composto por duas pessoas, geralmente tem uma que assume o papel da flor. Bela e mais insegura em relação a tudo, ela é frágil e precisa de cuidados para poder ser quem é. À outra pessoa, cabe então o papel de jardineiro. Obcecado pela flor que fez crescer, por tudo o que cultivou, ele faz questão de estar presente todos os dias no jardim para regá-la. Ele sabe o tempo certo de fazer alguma coisa, prepara a terra, compra fertilizantes... Ele é quem é o responsável por fazer todas as podas, ele é quem deve se desviar dos espinhos e manter a relação viva. 
Mas como é de se esperar, para a tristeza do jardineiro, que apesar de toda a sua experiência, ainda surpreende-se de maneira ruim, a flor sempre morre primeiro. Sua fragilidade faz com que ela murche caia no chão. Daí, quando o jardineiro vai na manhã seguinte para regar sua linda flor, ela não está mais lá esperando por ele. Deixou apenas algumas pétalas caídas no chão, um talo incompleto e uns espinhos que perfuram o jardineiro distraído com o que acaba de ver.
Mas como todo jardineiro que se preze, este continua a regar a planta, sem flores, só dores, só espinhos, na esperança de que outra flor nasça em seu lugar. E pode demorar algumas semanas, pode demorar até mais de um ano, mas sempre virão novas flores para serem regadas.

22 de maio de 2011

Desmoronamento



Não gosto desse clima melancólico que está tomando conta de mim neste momento. Não gosto pois geralmente sei o que acontece depois dele. É como uma profecia, um prelúdio de uma dor que está por vir. Seja um fim, uma separação ou uma perda. Eu sinto quando essas coisas estão para acontecer. E não quero. Talvez toda essa melancolia seja pelo fato de ver o mundo desmoronar como areia fina e não conseguir fazer nada. Meus braços por maiores que sejam, não dão conta de toda a areia que cai sob meus pés. Isso me assusta, tenho medo de me enterrar no meu próprio mundo de areia, ficar perdido por medo de sair correndo. Como aquela lenda onde um aventureiro ganancioso se enterrou em areia por querer ficar com todo o ouro.  Não sou de sair correndo e perder aquilo que conquistei, ou me conquistaram. O que você pode fazer acerca disso? Vai parar de desmoronar ou vai abrir a porta para que eu possa sair sem maiores danos?

16 de maio de 2011

Dentes

Vejo teu futuro nos meus dentes. Nos meus dentes encravados em seus lábios para levar-te ao céu. Em meus dentes que mordem sua carne macia, afim de saboreá-la, mas não forte o suficiente para que deixem hematomas externos. Não. As marcas que quero deixar-te não são visíveis aos olhos biologicamente sensíveis a luz. As marcas que quero deixar em ti são vistas por olhos sensíveis de amigos que te percebam falar demais em mim, que te peguem distraído, fora do corpo lembrando de como eu mandei bem. As marcas que quero deixar são aquelas que te roem por dentro de vontade de gritar pra todo mundo aquilo que não deve ser falado nem em sussurro frente ao espelho.
E por falar em sussurros, esses também marcam. Um bafo quente ao pé do ouvido, uma barba que serra o pescoço alheio, uma mão que percorre cada curva perigosa do seu corpo e chega onde o sol não chega. São marcas que começaram pelos dentes e não te sairão, não me sairão. Nos destruirão.

13 de maio de 2011

Cláudia e Elisa

Cláudia voltou para seu apartamento quase vazio de móveis, e mesmo morando sozinha, trancou-se no quarto para chorar as dores que parecia trazer na mochila carregada de livros grossos sobre como a arte fez revoluções ao longo da história do mundo. Mas suas dores não eram físicas, e se ainda chegasse a esse ponto, não foi o peso de uma mochila que causara essa dor, mas o peso de uma mão. A mão de Elisa. Aquela mão que outrora lhe fizera carinho, passara delicadamente por cada curva de seu corpo esbelto, fora levantada com raiva a ser descarregada em sua cara.
                Tudo era lindo! Elisa sempre fora uma namorada perfeita; fiel, carinhosa... Gostosa e sabia muito bem usar aqueles dedos... Mas era irrefutável em suas idéias. E Cláudia não aceitava ficar calada perante tudo o que acontecia, ainda mais com ameaças de violência. Mas a amava. Tinha certeza disso. Amava seu hálito quente, amava sua pele macia e seus cabelos cacheados. Não conseguia discutir, não depois de um sorriso safado e durante gemidos surdos num apartamento quase vazio. Mas era só a transa terminar, era só o nervo relaxar que as feições se fechavam. Mesmo que as duas tentassem, era impossível que aquela relação desse certo. “Isso já deu o que tinha pra dar, Cláudia. Parte pra outra”, já havia dito Camila, amiga desde muito antes de se mudarem para a cidade onde fazia universidade. “Além do mais, seu curso ta acabando, em breve você será uma grande estilista, seu nome estará estampado nas melhores vitrines e isso te trará as mulheres mais lindas do mundo!”
                Camila estava certa, Cláudia tinha mais com o que se preocupar, mas não sabia como terminar com isso. Ela tinha certeza que por maiores que fossem as dores de cada briga, nada seria pior que a dor definitiva da separação. Então, pela primeira vez Cláudia se viu em uma igreja. Não que ela acreditasse muito nisso, até brigara muito com a vó que a criou insistindo para que “aceitasse o Senhor Jesus como seu único salvador”, mas se viu a coitada da velha morrer tentando, é por que alguma valia isso devia ter. Então ela foi e pediu um sinal, não sabia direito como pedir isso, mas pediu. Na verdade mais do que o sinal que suas palavras pediam, seu interior pedia uma solução, queria que Elisa, como num milagre, a fizesse uma surpresa, enchesse sua cama de pétalas de rosas e a esperasse nua, deitada nela, dizendo que tudo seria diferente a partir de então. Cláudia era romântica demais, e talvez essa fosse a razão das lágrimas que rolaram enquanto repetia baixo, porém num tom que foi se aumentando, fazendo com que as mulheres de saias compridas e véu nas cabeças que estavam ao seu redor, a olhassem com repreensão e pena. “Deve ser apenas a irmã dela”, ouvia-se o murmúrio nos bancos arredores. “O pastor deveria era proibir a entrada desse tipo de gente na casa do Senhor! Onde já se viu uma mulher chorando por outra?”. Mesmo Cláudia sendo muito feminina, seu choro acompanhado por declarações à Elisa ficava “estranho” demais, até mesmo se fosse para uma irmã.
                De repente, Cláudia se viu rodeada de mulheres cobertas por um véu branco, e um pastor de terno incrivelmente grande e de uma cor no mínimo duvidosa, que mais parecia brigar com a gravata estampada que conversarem, como as peças deveriam fazer quando vestem a mesma pessoa de uma vez. A briga entre terno e gravata só não era mais alta que os gritos sem sentido que saiam da boca bigoduda do pastor, que gritava aos montes, nomes de todos os demônios e satanás que jamais ouvira nem mesmo no terreiro de umbanda que foi com Elisa a pedido de um amigo dela que tinha medo de ir sozinho. Cláudia não podia fazer nada, senão sair correndo de lá. E saiu.
                Assustada, Cláudia saiu de lá às pressas. Não queria mais ser dissecada como os sapos que abria nas aulas de biologia do ensino médio. Mas seu arrependimento passara tão rápido quanto o bip de um celular ao receber uma mensagem. Pois foi isso que aconteceu. “Cláudia, não posso mais me enganar. É melhor a gente terminar logo isso. Com carinho, Elisa” Era o sinal que ela pedira a Deus. Não era nem de longe o que sua alma pedira, mas Deus atendera sua oração e mandou o sinal que sua boca pedira. Era o fim. Era hora de seguir em frente.
                Cláudia voltou para seu apartamento quase vazio de móveis, e mesmo morando sozinha, trancou-se no quarto para chorar as dores que parecia trazer na mochila carregada de livros grossos sobre como a arte fez revoluções ao longo da história do mundo. Mas suas dores não eram físicas, e se ainda chegasse a esse ponto, não foi o peso de uma mochila que causara essa dor, mas o peso de uma mão. A mão de Elisa. Aquela mão que outrora lhe fizera carinho, passara delicadamente por cada curva de seu corpo esbelto, escreveu aquelas palavras que poderiam se resumir em três letras: FIM.

11 de abril de 2011

O Correio Verdade e a "dança do mô fi"



Nem sei se tenho autorização para publicar esse texto, e espero que isto não traga problemas legais para o blog e principalmente para o meu bolso. Mas recebi esse texto por e-mail e no próprio e-mail a autora pedia para repassar, por isso não creio que ela venha a me processar. (por favor, não me processe! Apenas compartilho de suas ideias)



Texto de Elaine Oliveira.


"A TV paraibana nunca foi tão ridicularizada. As mortes transmitidas das 12 às 13h, que já era prato principal do almoço de muitos paraibanos "vidrados" no correio verdade agora estão do jeito que o jornalismo imprudente sempre sonhou: as pessoas riem da desgraça alheia e a bandidagem ainda vira melô, hit musical...
Pois é, as novas celebridades do jornalismo local não são reconhecidos por seu trabalho sério e competente em informar...não são visto pelo Brasil como repórteres que elevam a Paraíba...são reconhecidos em toda a parte, mas, como o próprio Portal Correio anunciou em 2010, " Agora, toda a Paraíba vai ver e conhecer a força, a alegria e a irreverência de Samuca Duarte e Emerson Machado." É mesmo uma pena que estivessem falando de um programa policial...
Sucesso no you tube, orkut e afins, a "dança do mofi" é unanimidade: agrada tanto aos cidadãos de bem quanto aos bandidos. As crianças, incentivadas até mesmo pelos pais, colocam a camisa na cabeça e com os braços para trás dançam e aumentam a popularidade do jornalismo que todas as tardes ri da falta de consciência de uma população que já acostumada com a impunidade, resolveu aceitar que ela virasse piada.
Tratados como "amigos" (já que são a audiência), os criminosos até gostam das brincadeiras, afinal de contas, nem é assim tão grave o que eles fazem...

...
Para mim, parecia que já tinham usado e abusado de todas as armas do sensacionalismo, mas mostraram que não: no dia 31 de Março o telejornal foi transmitido em pleno Mercado Público de Mangabeira, e é claro, com direito a palco e plateia.
A cada notícia de mais uma entrada no Hospital de Emergência e Trauma ou de uma briga em bar que acabava em morte, uma música era tocada pela banda que estava participando do Caravana da Verdade. Lágrimas, perdas e outras tristezas que merecem respeito (seja por quem for), viraram show. Um show desejado e aclamado por muitos telespectadores. Ah, a ideia contraditória e doentia da contratação da banda foi anunciada no próprio Portal Correio, com as seguintes palavras:" A Banda Identidade Baiana realizará um show para animar ainda mais o evento, das 11h às 14h."
Samuka Duarte, Emerson Machado ( Mô- fi), Marcos Antonio (O Àguia), Josenildo Gonçalves (O Cancão da Madrugada) e toda a equipe de edição do Correio Verdade conseguem, dia após dia, tornar animadas as refeições de paraibanos que não se importam em almoçar frente às cenas de corpos perfurados e poças de sangue humano. Creio que não conseguem, com a mesma eficácia, tornar menos dolorosa a sina de uma mãe que sente a dor de ter um filho que agora é presidiário, de parentes de uma criança que morreu acidentalmente ou de um pai, que vê seu filho destruído pelas drogas, morto e servindo de audiência para um programa de humor negro chamado Correio Verdade.
Não sou jornalista. Sou nutricionista, mas antes disso, cidadã. Incomodada com o desprezo explícito à vida humana senti a obrigação de pedir a todos os meus contatos que repensem seus valores de respeito e dignidade à vida sempre que pensem em assistir esse e outros programas que indiquem sinais tão fortes de insulto a nós, telespectadores. Insulto a nossa capacidade e direito de exigir jornalismo de qualidade em palavras e atitudes.
Se concorda, repasse o email. Quanto mais as pessoas se conscientizarem dos "pequenos" males que nos envolvem com graça e alguns risos com gosto de sangue, mais chance teremos de exercer e usufruir daquilo que chamamos de cidadania. Merecemos mais respeito."

7 de abril de 2011

Chacina em escola municipal do Rio de Janeiro


Hoje, no dia dedicado a nós jornalistas, no meu caso, futuros, chego em casa da universidade, e diferente do que esperava, pelo horário, não havia desenhos animados e coloridos.
O que vi na tv, demorei a entender e ganhou proporções internacionais. Peguei o bonde andando até poder entender o que acontecera de fato. Assim como em filmes e jornais americanos, um jovem, ex aluno de uma escola municipal do Rio de Janeiro invadiu a escola onde estudou, armado com grande carga de munição para matar. E matou. O atirador, ao que parece, já tinha experiência com armas, já que possuía ferramentas específicas e atirou, na maioria das vezes (se não todas) na cabeça e no tórax dos alunos, mostrando a verdadeira intenção de matar. Até o momento (11:50am) a informação que há é que morreram 13 pessoas. O atirador foi identificado como Wellington Menezes de Oliveira de 23 anos. 

***

Como vocês conhecem, o Monotonia Diária não se trata de um blog de notícias, mas de um espaço onde eu posso falar sobre o que eu vejo, o que eu penso e o que sinto, por isso a estrutura dos textos contam com pirâmides normais, na maioria das vezes, e por isso não prometo mais notícias sobre o caso por aqui. 
Deixo aqui a minha solidariedade para com as famílias das vítimas, as mães que em desespero esperam notícias, e o mais forte abraços aqueles que perderam seus filhos em tal tragédia. 

2 de abril de 2011

Para viver um grande amor


Eu não ando só, só ando em boa companhia.Com meu violão, minha canção e a poesia...

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso. Muita seriedade e pouco riso, para viver um grande amor... Para viver um grande amor, o mistério é ser um homem de uma só mulher, pois ser de muitas, poxa, é pra quem quer, não tem nenhum valor. Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro, seja lá como for. Há de fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada. Postar-se de fora como espada, para viver um grande amor.

Eu não ando só, só ando em boa companhia. Com meu violão, minha canção e a poesia...

Para viver um grande amor direito não basta apenas ser um bom sujeito, é preciso, também, ter muito peito. Peito de remador! É sempre necessário ter em vista crédito de rosas no florista, muito mais, muito mais que na modista, para viver um grande amor. Conta ponto saber fazer coisinhas; ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, filés com fritas... comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar, com amor, uma galinha com uma rica e gostosa farofinha para o seu grande amor? 

Eu não ando só, só ando em boa companhia.Com meu violão, minha canção e a poesia...

Para viver um grande amor, é muito, muito importante viver sempre junto e até ser,se possível, um só defunto, para não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente, não só como  corpo, mas também com a mente, pois qualquer baixo seu a amada sente e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês, sem cortesia. Doce consciliador, sem covardia. Saber ganhar dinheiro com poesia, não ser um ganhador. Mas tudo isso não adianta nada se nessa sala escura e desvairada não souber achar a grande amada para viver um grande amor...

Eu não ando só, só ando em boa companhia.Com meu violão, minha canção e a poesia... Eu não ando só, eu não ando só, eu não ando só.

Para viver um grande amor -Vinícius de Moraes.

30 de março de 2011

Sobre Homofobia


O que tem tramitado no senado é a nova lei sobre a homofobia, que caracteriza o preconceito e agressão contra homossexuais. Porém isso tem gerado certa polêmica no mundo aqui fora, também. 
O que eu posso perceber, é que isso acabou sendo levado para o outro extremo, e o que parecia uma defesa contra o preconceito para homossexuais, está prestes a se tornar um ataque a favor do preconceito contra heterossexuais. Oras...
Creio que mais importante que qualquer lei sobre homofobia, é mais importante um bom senso de  cada um sobre o que é respeito. Se não for dessa maneira, viveremos em eterna repressão, só que agora com outros ditadores. Nem tudo que envolva homossexualidade é ofensa. Todos temos nossos direitos de nos expressar. Todos temos os direitos de não desejar que nossos filhos sejam homossexuais. Todos nós temos direito de não gostar de determinadas pessoas, hetero, gay, bi, seja o que for. O que eu não posso é ofender nem desrespeitar ninguém.
Mas como eu já disse antes, as leis estão tomando rumos tão extremos quanto os da homofobia. Se continuar assim, em alguns anos, será criada uma lei contra a "heterofobia". Hoje eu soube que de acordo com a nova lei que está tramitando, será possível um casal gay ficar a vontade, se beijar loucamente em um restaurante e ninguém poderá falar nada. 
Certo.
Mas o que vale ai é o respeito. Ora. Se um casal hétero fazendo isso, é ridículo e ofensivo, será ridículo e ofensivo também para um casal gay. Independente de qualquer lei. Essa lei vai é aumentar o preconceito. Olha... Existem casais gay que se respeitam e não precisam estarem se agarrando em todos os lugares para serem felizes. Estes, na maioria das vezes, nunca se sentiram ofendidos por isso. O que vai acontecer com essa lei, é que os mais extremistas, não saberão respeitar o ambiente, e achando que estão numa onda de "tudo é permitido" serão alvo das atenções e farão todos olharem e comentarem por baixo dos panos que é uma falta de respeito tal comportamento. E é.
Imagine chegar com sua família (papai, mamãe, vovó e filhinhos) em um restaurante e na mesa ao lado ter um casal se esfregando, se beijando calorosamente. É constrangedor? Claro que é. 
Se o casal que estiver se esfregando for um homem e uma mulher, e eu chamar um funcionário do restaurante para informar que estou me sentindo constrangido, eu apenas estou contrangido.
Se o casal que estiver se esfregando for formado por dois homens, e eu chamar o garçom e informar que estou me sentindo constrangido, ai estarei sendo homofóbico.
Percebem a diferença que isso tudo vai causar? Só inverteremos os papéis.
Mais do que leis, é preciso criar uma educação que venha desde criança. Afinal ninguém nasce com preconceito. 

27 de março de 2011

Eu já estava me acostumando

Eu já estava gostando das suas ligações e de suas mensagens de celular alegando saudade. E você sabe disso. Até disse que também sentia em vez de ficar calado e beijar sua testa em sinal de respeito como fizera outras vezes.
O que te fez se afastar de mim, talvez tenha sido o que me fez se apegar a você. Esse tempo em que tudo conspirava para que eu não ouvisse sua voz ou tocasse seu rosto só fez alimentar minha saudade. Me fez crescer a vontade de estar perto de você, de ficar me perguntando se já estava começando a amar em vez de gostar, como sempre te disse. 
Acho que o seu fósforo acendeu meu cigarro, e o vento da distância que te apagou, me acendeu e eu não fiz o menor esforço para não ser tragado depois de aceso, e isso me fez ficar mais aceso e mais frágil. Já tinha passado pro isso e me lembrava que depois disso tudo sobram apenas cinzas e mesmo assim não me neguei a me permitir gostar de você, depois de tanta resistência.
Não me neguei a pensar em você para saciar meus desejos solitários no meu quarto frio, a te ligar quando bêbado para falar aos berros que gosto de você.  Passei por cima de medos, de raivas, de brigas de família para te ter dormindo aqui. 
Para aliviar outras dores, dores estas que me causaram desespero e você o viu, para aliviar estas dores, agarrei-me ao primeiro lençol que estava em minha frente. Lençol este que nos cobriu da ultima vez que dormimos juntos. Não peguei este lençol para sentir isso, mas senti, e não sei se já havia sido efeito das dezenas de remédios que tenho tomado ou se a dor de seu cheiro, que agora é utópico para mim, tomou conta da dor que sentia, meio que uma troca, sabe? Mas o fato é que a primeira dor passou.
Eu que estava meio anestesiado durante nossa conversa final, senti a ficha cair e ecoar como uma moeda no poço. E doeu. Eu que te disse que não estava bem, mas também não estava morrendo, cheguei a chorar. Posso não estar de fato morrendo, como já tive em outros fins, mas estou com uma sensação incômoda. Como quando o dente não dói. Incomoda.
Ainda vou cobrar o ultimo beijo que você me ofereceu. Um golpe de misericórdia.